
"Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira..."
Ferreira Gullar

"Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira..."
Ferreira Gullar
QUIERO que sepas
una cosa.
Tú sabes cómo es esto:
si miro
la luna de cristal, la rama roja
del lento otoño en mi ventana,
si toco
junto al fuego
la impalpable ceniza
o el arrugado cuerpo de la leña,
todo me lleva a ti,
como si todo lo que existe,
aromas, luz, metales,
fueran pequeños barcos que navegan
hacia las islas tuyas que me aguardan.
Ahora bien,
si poco a poco dejas de quererme
dejaré de quererte poco a poco.
Si de pronto
me olvidas
no me busques,
que ya te habré olvidado.
Si consideras largo y loco
el viento de banderas
que pasa por mi vida
y te decides
a dejarme a la orilla
del corazón en que tengo raíces,
piensa
que en ese día,
a esa hora
levantaré los brazos
y saldrán mis raíces
a buscar otra tierra.
Pero
si cada día,
cada hora
sientes que a mí estás destinada
con dulzura implacable.
Si cada día sube
una flor a tus labios a buscarme,
ay amor mío, ay mía,
en mí todo ese fuego se repite,
en mí nada se apaga ni se olvida,
mi amor se nutre de tu amor, amada,
y mientras vivas estará en tus brazos
sin salir de los míos.

Amigo
Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O’Neill

Gozo e dor
Se estou contente, querida,
Com esta imensa ternura
De que me enche o teu amor?
Não. Ai não; falta-me a vida;
Sucumbe-me a alma à ventura:
O excesso de gozo é dor.
Dói-me alma, sim; e a tristeza
Vaga, inerte e sem motivo,
No coração me poisou.
Absorto em tua beleza,
Não sei se morro ou se vivo,
Porque a vida me parou.
É que não há ser bastante
Para este gozar sem fim
Que me inunda o coração.
Tremo dele, e delirante
Sinto que se exaure em mim
Ou a vida ou a razão.
Almeida Garrett

You were closer, so much closer to me
I felt every breath, heard your heart beat
felt your body tense, relax, then you sigh
held me, kissed me, for the longest while
but then you retreated, closed your eyes
content to sleep, the world between you n I
silently I wished that you would come back
by accident, by will, it was over? like that?
one arm at your side, the other on your chest
slow shallow breaths, not a single protest
restless, couldn’t sleep, I missed you so much
you were right there, but I dared not touch
my hands would betray, how much I felt
how much love for you, my fragile heart held
could you? would you? ever love me too?
would this be a memory? or just ‘movie night’ for you?
you wake but I’m clothed, halfway out the door
tomorrow I’ll be back, for even just five minutes more

“If you’re going to love me, love me deeply.
If you’re going to break my heart, then break it all.
If you’re going to care, care for me completely.
If you decide not to hold me, don’t let me fall.
If you’re going to stay, then stay forever and
If you want to leave, then do it today.
If you’re going to change, change for the better.
And if you’re going to talk, please mean what you say.”

your life is your life
don’t let it be clubbed into dank submission.
be on the watch.
there are ways out.
there is a light somewhere.
it may not be much light but
it beats the darkness.
be on the watch.
the gods will offer you chances.
know them.
take them.
you can’t beat death but
you can beat death in life, sometimes.
and the more often you learn to do it,
the more light there will be.
your life is your life.
know it while you have it.
you are marvelous
the gods wait to delight
in you.
Charles Bukowski

“Oh my crush, I’ve gotta crush
I suppose that i could hold it in
But you excite my every cell
Sources say that senses are your friends
My senses say that I should tell
You that I’m not ashamed
You might just feel the same
But you have to try it
If you’re ever really gonna know
My dear, I went for the steal
Maybe it was rushed
Oh my crush, i’ve gotta crush
I want to
I need to
I have to have you”
| — | Crush, Gavin DeGraw |

Vou esperar por ti no crepúsculo… da saudade!
Sussurrando promessas aos ouvidos… do mar!
Longe avisto uma parábola invertida
pelo tempo e um jorro de emoções no meu peito…
Observo o côncavo contraste, dos montes
Sorvendo cada fixação de escamas
do desolado trajecto, da noite…
E uma hibernação de asas abstém-me
do um voo certo e continuo!
Solto agora os versos que respiram o meu amor…
Antevendo, em cada cerrar de lábios,
o devassado odor de uma despedida…
Um dia atingirei o limiar… dos sonhos!
Fintando o sumptuoso lago dos teus olhos…
E contemplo-te
No ilegível desenho… de aurora!
Aspirando um charco de velas
por fim…
Desaguo todo aquele amor, no teu sangue…
Enquanto o decepado rebordo do vento, me clama…
Perfaço-te!…
Sob a intensa fragrância… dos lírios!
que se esbate no plúmbeo ocaso…dos céus!
O rosto pesa-me… nos braços!
A cada remota lembrança que me atinge…
Sabes?…
Uma noite voltarei a ser eu novamente
Neste momento não estou preparado
talvez já estive, mas agora não estou
Mas sim…
Uma noite voltarei… para te amar!
Via: http://pedromartins.tumblr.com/

When you walk through a storm
Hold your head up high
And don’t be afraid of the dark
At the end of the storm
There’s a golden sky
And the sweet silver song of a lark
Walk on through the wind
Walk on through the rain
Tho’ your dreams be tossed and blown
Walk on, walk on
With hope in your heart
And you’ll never walk alone
You’ll never walk alone
You'll Never Walk Alone - Michael Ball

"São enormes as letras
Que inventaram as palavras
E dão forma aos abraços
De ombros enlaçados
Frases únicas e intermináveis
Que desenham nos céus
Momentos que as nuvens aninham
E acarinham no firmamento
Todos os gestos das tuas mãos
Vestem cada canto do meu corpo
Como folhas imensas de uma árvore
De onde brota toda a tua alma"
Madalena Palma - Aliciante

Úntame de amor y otras fragancias de su jardín secreto.
Riégame de especias que dejen mi vida impregnada de tu olor.
Sácame de quicio.
Llévame a pasear atado con una correa que apriete demasiado.
Hazme sufrir.
Aviva las ascuas.
Ponme a secar como un trapo mojado.
No desates las cuerdas hasta que sea tarde.
Sírveme un vaso de agua ardiente y bendita que me queme por dentro,
que no sea tuya ni mía, que sea de todos.
Líbrame de mi estigma.
Llámame tonto.
Sacrifica tu aureola.
Perdóname.
Olvida todo lo que haya podido decir hasta ahora.
No me arrastres.
No me asustes.
Vete lejos.
Pero no sueltes mi mano.
Empecemos de nuevo.
Sangra mi labio con sanguijuelas de colores.
Fuma un cigarro para mí.
Traga el humo.
Arréglalo y que no vuelva a estropearse.
Échalo fuera.
Crúzate conmigo en una autopista a cien por hora.
Sueña retorcido.
Sueña feliz, que yo me encargaré de tus enemigos.
Dame la llave de tus oídos.
Toca mis ojos abiertos.
Nota la textura del calor.
Hasta reventar.
Sé yo mismo y no te arrepentirás.
¿Por cuánto te vendes?
Regálame a tus ídolos.
Yo te enviaré a los míos.
Píllate los dedos.
Los lameré hasta que no sepan a miel.
Hasta que no dejen de ser miel.
Sal, niega todo y después vuelve.
Te invito a un café.
Caliente claro.
Y sin azucar. Sin aliento.
Daniel Valdés - Filme: "Bailame el agua" (2000)

UTOPIA
(Sanderson Alex)
Hei de tocar o teu sonho
E fazer-me abstrato
Em teu mundo
Transpor os umbrais
De teu corpo
Conduzir-te ao
Delírio noturno
Sentir o teu cálido cheiro
Tornar-me teus deus
E teu homem
Manchar teu pudor
Com desejo
Fazer-te implorar
Por meu nome
Hei de invadir teu silêncio
Cantar-te
Inocentes mentiras
Olhar-te e calar o teu medo
Dar-te de mim outra vida
Hei de velar o teu sono
Cobrir-te na noite mais fria
Deixar-te sem servo
Nem dono
E tornar-me
A mais bela utopia.

Humana fonte bela,
repuxo de delícia entre as coisas,
terna, suave água redonda,
mulher nua: um dia,
deixarei de te ver,
e terás de ficar
sem estes assombrados olhos meus,
que completavam tua beleza plena,
com a insaciável plenitude do seu olhar?
(Estios; verdes frondas,
águas entre as flores,
luas alegres sobre o corpo,
calor e amor, mulher nua!)
Limite exacto da vida,
perfeito continente,
harmonia formada, único fim,
definição real da beleza,
mulher nua: um dia,
quebrar-se-á a minha linha de homem,
terei que difundir-me
na natureza abstracta;
não serei nada para ti,
árvore universal de folhas perenes,
concreta eternidade!
Juan Ramón Jiménez, in "La Mujer Desnuda"

Pathways
Understand, I'll slip quietly
away from the noisy crowd
when I see the pale
stars rising, blooming, over the oaks.
I'll pursue solitary pathways
through the pale twilit meadows,
with only this one dream:
You come too.
Rainer Maria Rilke

Promise me,
promise me this day
while the sun is just overhead
even as they strike you down
with a mountain of hate and violence,
remember, brother,
man is not our enemy.
Just your pity,
just your hate
invisible, limitless,
hatred will never let you face
the beast in man.
And one day, when you face this beast alone,
your courage intact,
your eyes kind,
out of your smile
will bloom a flower
and those who love you
will behold you
across 10,000 worlds of birth and dying.
Alone again
I'll go on with bent head
but knowing the immortality of love.
And on the long, rough road
both sun and moon will shine,
lighting my way.
Thich Nhat Hanh, 1965

Para sonhar o que poucos ousaram sonhar.
Para realizar aquilo que já te disseram que não podia ser feito.
Para alcançar a estrela inalcançável.
Essa será a tua tarefa: alcançar essa estrela.
Sem quereres saber quão longe ela se encontra;
nem de quanta esperança necessitarás;
nem se poderás ser maior do que o teu medo.
Apenas nisso vale a pena gastares a tua vida.
Para carregar sobre os ombros o peso do mundo.
Para lutar pelo bem sem descanso e sem cansaço.
Para enxugar todas as lágrimas ou para lhes dar um sentido luminoso.
Levarás a tua juventude a lugares onde se pode morrer, porque precisam lá de ti.
Pisarás terrenos que muitos valentes não se atreveriam a pisar.
Partirás para longe, talvez sem saíres do mesmo lugar.
Para amar com pureza e castidade.
Para devolver à palavra “amigo” o seu sabor a vento e rocha.
Para ter muitos filhos nascidos também do teu corpo e – ou – muitos mais nascidos apenas do teu coração.
Para dar de novo todo o valor às palavras dos homens.
Para descobrir os caminhos que há no ventre da noite.
Para vencer o medo.
Não medirás as tuas forças.
O anjo do bem te levará consigo, sem permitir que os teus pés se magoem nas pedras.
Ele, que vigia o sono das crianças e coloca nos seus olhos uma luz pura que apetece beijar, é também guerreiro forte.
Verás a tua mão tocar rochedos grandes e fazer brotar deles água verdadeira.
Olharás para tudo com espanto.
Saberás que, sendo tu nada, és capaz de uma flor no esterco e de um archote no escuro.
Para sofrer aquilo que não sabias ser capaz de sofrer.
Para viver daquilo que mata.
Para saber as cores que existem por dentro do silêncio.
Continuarás quando os teus braços estiverem fatigados.
Olharás para as tuas cicatrizes sem tristeza.
Tu saberás que um homem pode seguir em frente apesar de tudo o que dói, e que só assim é homem.
Para gritar, mesmo calado, os verdadeiros nomes de tudo.
Para tratar como lixo as bugigangas que outros acariciam.
Para mostrar que se pode viver de luar quando se vai por um caminho que é principalmente de cor e espuma.
Levantarás do chão cada pedra das ruínas em que transformaram tudo isto.
Uma força que não é tua nos teus braços.
Beijá-las-ás e voltarás a pô-las nos seus lugares.
Para ir mais além.
Para passar cantando perto daqueles que viveram poucos anos e já envelheceram.
Para puxar por um braço, com carinho, esses que passam a tarde sentados em frente de uma cerveja.
Dirás até ao último momento: “ainda não é suficiente”.
Disposto a ir às portas do abismo salvar uma flor que resvalava.
Disposto a dar tudo pelo que parece ser nada.
Disposto a ter contigo dores que são semente de alegrias talvez longe.
Para tocar o intocável.
Para haver em ti um sorriso que a morte não te possa arrancar.
Para encontrar a luz de cuja existência sempre suspeitaste.
Para alcançar a estrela inalcançável.
Paulo Geraldo
...este post é para ti, migo... ![]()

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas..

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade